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Mostrando postagens de abril, 2021

Produção Acadêmica

URBE SEDUTORA: A CIDADE ENQUANTO METÁFORA DE MULHER EM  SEVILHA ANDANDO , DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO (Dissertação de Mestrado, 2014)   BENÇA, MÃE-VÉA: A CONSTITUIÇÃO DOS FILHOS DE SANTO NO TERREIRO DE MADRINHA ALICE (Monografia de Especialização em Antropologia, 2018) A CASA DA FORÇA: RESSACRALIZAÇÃO POÉTICA EM DEUS É NEGRO , DE WESLEY CORREIA (Artigo TCC - Especialização em Literatura, 2017) História oral dos ritos de tratamento no terreiro de Dona Alice Resumo publicado nos Anais da Semana da Pertença de 2017 A dispersão dos Maracaiaras: ficção e história oficial acerca dos indígenas no Sertão dos Maracás Artigo publicado nos anais da Semana da Pertença de 2017 O sertão baiano em cena: inserção de Lindolfo Rocha nas aulas de literatura do Ensino Médio Artigo publicado nos anais  do III Fórum de Licenciaturas da UFRB de 2016.

Crítica de literatura

O crescimento do Centauro (Revista Cronópios, 2008) A transparência alma de Bruno Gaudêncio (Revista Verbo, 2010) A inexistência e outros silêncios na literatura de Helena Ortiz (Fundação Casa de Jorge Amado, Com a Palavra o Escritor, 2010) Uma nova chama na poesia cearense (Revista Verbo21, 2011) A Ítaca do sertão e o demiurgo encourado (Orelha do livro Pedra Só , de José Inácio Vieira de Melo, 2012) O embate primordial: criador e criatura (Prefácio do livro Tourada Imaginária, de Roberth Novaes, 2018)

Entrevistas

Entrevistas concedidas por poetas a Edelvito Almeida do Nascimento (Vitor Nascimento Sá) Roberval Pereyr Entrevista concedida pelo poeta a Edelvito Nascimento. Originalmente publicada na revista eletrônica Cronópios, em 2009. Posteriormente, também publicada no blog do Grupo Concriz, para onde este link encaminha.  Para citar: NASCIMENTO, Edelvito. Entre a racionalidade e a experimentação: entrevista com Roberval Pereyr. Revista Cronópios. São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=3737> Acesso: 31dez2009. José Inácio Vieira de Melo   Entrevista concedida pelo poeta a Edelvito Nascimento, Maurício Melo Jr, Lima Trindade, Mariana Ianelli e Igor Fagundes. Originalmente publicada no Jornal Correio das Artes, em 2010 e, posteriormente, no blog do próprio poeta, para onde este link encaminha. Para citar:  NASCIMENTO, Edelvito (et al.). Um poeta no jardim da imensidão: entrevista ao poeta José Inácio Vieira de Melo . Correio das Artes...

Produção Literária

POEMAS Comboio Pai De gabinete Executores O melhor poema Poema incendiário Devir Pai Soneto de Segunda Ruído Versão oficial Reação Inutilidade Amanheceremos Bandeira Rua Fulana de Tal Vazio Impedimento Mostruário Redefinição Sonho Ego Livro dos lunáticos O fim Oyá Oyá II A propósito da liberdade Poema do sono Topógrafo O leito Desejo em sangue de arado Canto de Concriz POEMAS ANTIGOS Teoria geral da guerra Gênese do dia Jorge de Capadócia Caronte Relógio de parede Sobre os beijos da primeira namorda Antenor As putas no poente de Belmonte Munduri Dos nomes celestes Domingo Primeira subida Das jaqueiras na Lagoa dos Homens Portal Ressurreição de Lilith O poema de que não falei Canção com Diva Estátua Morro do Tatu Lavras do sol Poemas antigos publicados por terceiros Poética (Revista Diversos e Afins) Escapulário e outros poemas (Blog Cavaleiro de Fogo) Antenor e outros poemas (Revista Musa rara) Epitáfio e outros poemas (Revista Blecaute) Narrativa fantástica Auto da Conversão

Comboio

Para onde caminha o rebanho condenado de roupas puídas e mãos em calos? Para onde segue no tudo ou nada com guias cegos como que arrastados? Todas convulsivas caem estataladas essas almas vivas porém penadas! O que sonham elas (se têm sonhado) com faces amarelas e outros fardos? E o que que elas sentem, se lhe é permitido? Pensam que são gente, sem nunca terem sido!

Pai

Hoje chove. Amanhã faz frio. Depois de amanhã,      a tua falta bate à porta. E já não tenho certeza      se viver nesta casa      ao redor de tuas coisas          será a fresta de um consolo                 ou a vista do abismo. Hoje chove. Amanhã é domingo. E tua face se amarela        no papel retrato. Depois de amanhã, semana que vem ou dez anos depois,        ainda ouvirei teus passos              no corredor. No papel retrato,        tua face e teu sorriso                seguem amarelecidos. Na minha retina, porém,        congela-se o aperto de mão               e o último sorriso.

De gabinete

Tenho gana por teorizar sobre a mulher que não ofereceu (a essa hora do dia) o café da manhã aos seus filhos. Pouco ouço seu choro, não tenho seu desespero, não sinto sua paralisia. Mas aponto caminhos. Por que não devo me sentir um generoso homem de bem? Tenho centenas de laudas, dezenas de argumentos, quatro ou cinco pontos de vista. Sim… são meus - não dela -  esses pontos de vista. Aqui, atrás da escrivaninha, de estômago cheio e coração vazio, tenho muito a dizer à mulher que chora à falta do café com pão dos seus filhos.

Rua Fulana de Tal

O dia em que minha avó virou nome de rua, foi a primeira vez que vi meu pai chorar. Não era má a rua, embora sem pavimento: possuía a simpatia das casas pequenas cercadas de grandes quintais. Mas faltava a ela  - a rua - muita coisa para estar a altura da falta que minha avó faz.

Redefinição

O passado não passa. No aqui, no agora, fustigando os cantos, ronronando, roçando pernas, ele toca campainha, toma do nosso vinho, nos sacode ao menor sinal de cochilo. A despeito do que nos tentam impor as normas morfossintáticas, as leis etimológicas, a semântica oficiosa, as limitações da lógica, o desespero, o desejo... como filho bom do paradoxo, o passado é o não-passado. Posto que fica. E nos avizinha toda vez que um átimo se atira das ribanceiras do presente e, morrendo, se eterniza nas finas malhas da memória. E, quando nos enganamos, ignorando sua perene respiração, ele, o passado, nos desperta com pânico, suor, lágrima e com a sagaz e discreta alcunha de pesadelo.

Sonho

Tenho o sonho perturbador de Um pássaro preto, Uma aranha preta, Uma cadela prenhe preta. Uma poça d'água são as metas Onde o pássaro se despede Debatendo-se com suas asas cortadas. A aranha, a mosca, assassinadas. A cadela arfando segue Lambe a minha mão E vai embora

Oyá II

Deusa do mau tempo, Tempestade-me, oh grande senhora. Revolvam-me raios, ventanias, o íntimo e estático. Desperta-me, barulhenta e belicosa,  abre-me os olhos para mim.

Ego

Não posso pensar de mim mais do que o necessário. Quando esbarro incauto no ego, tomo veloz destino vário. E quando, absorto, em mim me pego salto as páginas para o fim: de dia -- Narciso -- digo sim. E toda noite me nego. O espelho é conselho de Serafim, mas este anjo, torto e cego

Livro dos lunáticos

Bem aventurados os lunáticos, porque já estão no Reino dos Céus. Eles abrem os braços, as mãos, e o Reino lhes entra pelas pontas dos dedos, pelos fios de cabelos, pelos pêlos eriçados, pelo coração. E ele, o doido, é o próprio Cristo, crucificado pelos sóbrios, pelos homens de fé e de ciência, pelos donos do mundo. Porém, no meio de sua tortura, ele sorri. Esses seres ordinários, que a tudo e todos confundem, jamais entenderão a tecitura do Reino que lhes parece tão longe. Mas está logo ali.

O fim

Não importa o quanto se atrase. Quando ele chegar,  prescreverão todos os teus pecados. Para que, junto de teu corpo inerte, possam mentir os teus amigos em alto e bom som: apesar dos pesares, era um homem bom.

Oyá

Este rio que se reparte  em nove cabeceiras, em veias, é um rio de búfalos de bronze, é uma cabra inalada nas nuvens. Na face desse Rio, nascem dois olhos de fogo, que relampejam  pássaros e borboletas. E ventam contra os bambuzais. São olhos de pedras caídas de nove céus. Olhos de pérola em versos. Na face do Rio, abaixo dos olhos, nasce tua boca faminta, desejosa da carne, sedenta do sangue das flores. Então tu, em seguida, nasces completa com o braço de mil homens. Acordas com a mão sobre o punho da espada. Todos os homens reverenciam teus cabelos de raios. E se submetem ao brilho de tuas coxas de cobre. Não posso dizer que acordo ao trovejar de teu sexo, porque a vigília é a perda do animal que somos. Então, permaneço deitado sob o pingo intermitente das calhas, coberto pelo chiado da chuva, e contemplando o faiscar dos choques de teus peitos.

A propósito da liberdade

Esse queimar na garganta e essa dor, que é como seta cravada na boca do estômago, são dores comuns ao poeta? Onde está meu castelo de vidro todo enfeitado em marfim e a outra minha metade que desgarrou-se de mim? Nesse tempo de idiotas, amantes da violência, posso tocar minha lira sem cravo na consciência? Posso esquecer-me da fome, da guerra, da crueldade, de que, na funda gaiola, aves e homens cantam, sem liberdade? Meu verso tem de ser dito como um soco na barriga, como as chamas do inferno queimando o não da justiça ou como um arpão que iça um demônio trajando terno, toga, bata ou batina… Que corte o papel do caderno um verso tão afiado, como a boca da faca fina ao verde-louro bordado.

Poema do sono

Pensar a poesia equivale a matá-la. O verso subsiste ao nosso malho. Se penso no verbo elaborado, perco-me no labirinto do Fauno. O verso que sonhei chegou-me num susto, como se num suspiro acontecesse. Mas a pena, que luta, leva ao luto. E o esquife do verso embalsamado não cabe na minha gaveta, já que por ele sou levado.

Topógrafo

Eis o ofício de medir o mundo ofício dos deuses transeuntes labor de cifrar o espaço entre os homens cifrar, de linha e número, os passos. Cada palmo de alma, avançada que seja, é composto de saliva e condensado na régua, no compasso, em papéis de tolices engendradas É a gravidez do mundo pululando de geometria ainda que parcialmente assassinada a golpes de borracha Eis o martelo a indicar o ponto e, do ponto, a linha, o quadro longos hectares de vida, de espasmos.

Lavras do sol

  manivas ao norte é a ordem solar que o sol é a sina do chão dos meninos   meninos correndo manivas à mão e o sol vaquejando a nós cá na terra   nós somos meninos nós somos bezerros manivas nos dentes manivas ao norte   e o norte está lá como sempre esteve na pequena mata virgem secreta fechando a cipó as suas frinchas   e o avô dizia sai daí menino que cobra te morde sai daí menino descanso acabou acabou a sombra de teu pé de umbu   meninos-bezerros deitamos às covas manivas da boca manivas solares manivas ao norte

O leito

Todos afluímos a ti. E tu, lançado ao mar levaste o que em nós havia de sentido Quase um ano de fluidez de acelerado passo em arredores de pedra e teu peito, no choque das ondas, desfez-se não obstante a resistência.

Morro do Tatu

Terra de sangue e de estrada ainda reside nos pés de paredes. Nas barras de calças viajantes, estacionada ainda a mesma sede. Égua fugida, rês desgarrada, o tempo não é contado  mais do mesmo jeito: não se debulham instantes, com a sombra da jurema sobre as roupas que quaram pastorando o branco no lajedo. Meninos não correm emparelhados – cavaleiros que atalhavam gado –  Meninas não brincam de liso tocando seus dedos nas pedras como os segundos presentes, de leve, tocam as franjas do passado.  

Estátua

  (Para Carlos Drummond de Andrade) Ah! Carlos, pra que tanta comoção? Arrancaram-te os óculos; noutro canto, o livro. Vão arrancar também, em pouco tempo, teus pés e tua cabeça e teu banco e tua praia às tuas costas. Os pombos te sujam, gauche. Ah! Carlos... Esqueceram teu nome. Arrancaram tua memória. E agora, Carlos, Para onde?

Canção com Diva

  Não havia, nos versos da canção, correspondência com a verdade. Não havia, na voz, sangue algum que equivalesse a futuros pecados. Não havia, no ritmo das pernas, a indicação dum impossível compasso. Nem, no texto, a custo tecido, noção de certo e errado. O canto, de lógica ausente, ressoando na janela do passado.

Desejo em sangue arado

Terra de sangue barro arado de cicatrizes palma aberta ao vento folhas de adeus ao homem que passa o homem com a rede ausente de peixe peixe de nada água ausente ausência da ausência da ausência o zero elevado à enésima     potência. Ao fim, só desejo em sangue de arado     no barro

O poema de que não falei

  (Para Ivana Karoline) tenho por ti um amor de ribanceira um amor de atirar-se ladeira abaixo por isso meu pouco tato para velas para vinhos e sedas de trincheira meu amor por ti é tão viciado na arte de devorar as flores que o primeiro buquê chegou à tua mão repleto de talos meu amor por ti é cinofóbico porque os cães que ladram em meu peito dilaceram meus rins em mil dentadas e embriagam de cadências os teus peitos já beira o absurdo esse amor de pedra e lavra esse galopar de folhas ao redemoinho atiradas essa constante presença e a finitude de minha febre ostentada em candelabros apenas raramente ele é um canto recolhido um toque de anjos mal-intencionados um sedimento sob a água de luzes como um frade em sua alcova escondido mas logo pulsa como estava antes como frutas suicidas sobre árvores como a massa encefálica de um Cérbero como arbusto sufocado numa rodilha de serpente

Ressurreição de Lilith

Onde convergem mulher e pássaro? Águas ali passeiam ondulando pernas e patas de tal modo que penas e suores se fundem: unção de lago à beira da estrada. Pássaro e mulher: nova gênese, excluindo, desta feita, os ossos – noturnos que agora somos –  e amputando asas ao bater em retirada: castigo pelo cedido sangue, a alma toda encerrada nos seios. Onde pássaro e mulher convergem, ali os anjos que, embora sem sexo, adorariam ser femininos como Deus.

Portal

    À entrada da cidade, as palmeiras brincam engravidadas pelos ventos.   Postam-se tais como soldados, atalaias de barrigas gigantes feitas de água e encantamento.   À beira dos balaústres, as palmeiras se inclinam em sinal de reverência às moças que passam repletas de cores e dentes.   Suas lâminas cortam nuvens. Suas folhas atiram-se ao chão.   Etéreas e límpidas, seus braços dançam ao som da plúvia canção.

Das jaqueiras na Lagoa dos Homens

Ainda estás tomando fronde, copando nossa história um centímetro por dia, odorizando ainda na memória. Teus gomos, tuas contas, é presciência em nosso paladar; tua viscosidade de abismo, mosaico de éter sobre o ar. Quando te revelas em nossa fala, no nosso apetite matutino, trazes o teu deleite: o edifício das horas  e a face da campina.  

Redefinição

  O passado não passa. No aqui, no agora, fustigando os cantos, ronronando, roçando pernas, ele toca campainha, toma do nosso vinho, nos sacode ao menor sinal de cochilo. A despeito daqueles que nos tentam impor as normas morfossintáticas, as leis etimológicas, a semântica oficiosa, as limitações da lógica, o desespero, o desejo... como filho bom do paradoxo, o passado é o não-passado. Posto que fica. E nos avizinha toda vez que um átimo se atira das ribanceiras do presente e, morrendo, se eterniza nas finas malhas da memória. E, quando nos enganamos, ignorando sua perene respiração, ele, o passado, nos desperta com pânico, suor, lágrima e com a sagaz e discreta alcunha  de pesadelo.

Primeira subida

Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. Álvaro de Campos Sem metafísica, a subida malogrou os passarinhos pé ante pé, estranha trilha. Para o Morro da Contagem, cada músculo é uma conquista. Mas agora o que é que há, além dos ventos? Quedo, o sinal de tv foi transferido. Os passos daquele dia, apagados. O primeiro encantamento – não mais – agora é físico, monetário até e (por que não dizer?) movediço. Os cabos de eletricidade estupraram a vereda virgem, mas, no fundo do passado, dá pra ver a marca de teu pé nos lajedos que te agridem. A lembrança está para o presente como, para o mar, está a ilha. E, nesta, que também já se tornou desconhecida, estão as aves enganadas, em revoada, e tu, com as mãos nos bolsos da calça e sem metafísica.

Domingo

  I atenção: devagar hoje é dia de domingo não há hoje lição  na casa de Dona Elvirinha aquietem a lagoa dos homens afastem os móveis da sala arquitetem a ladainha hoje: o primeiro da novena domingo e seu cheiro de alfazema o sol espada no peito outrora hoje cintila no orvalho o ar que sufoca nossas horas ondeia as crinas dos cavalos o pó peregrino das auroras hoje é lavado da calçada as paredes sussurram em seu abraço de barro as panelas chilreiam suas preces de brasa silêncio apenas hoje, o almoço é em família sim paralisem toda a casa a lagoa dos homens o mundo hoje é dia de domingo   II Há tanta coisa  cuja existência é ignorada pelo Domingo! O Domingo  é um deus que dorme ao meio dia ouvindo um fado e acorda à tardinha com gosto de pássaros na boca.  

Dos nomes celestes

Eu e meu filho diante da primeira estrela, pintura moderna dum deus estranho, nomeamos pontes de holofotes como quem recria os passos dos primeiros seres de encanto. Eu e meu filho: as estrelas passantes, dois poetas doidos com seus lances de dados. Meu filho e eu e o outro lado dos nasceres e seus ritos que sempre serão como foram antes.

Munduri

nas pedras de distante dor meus pés descalçados de calos caminham como antigamente na soleira daquela década penas reverberavam como grilos e aflições de eras derretidas nos suspiros das donzelas habitantes dos morros gêmeos  que será de um peito rompido ao som de auroras como rompem gaiolas  os desejos dos periquitos? vi no berçário de teu olhar a incógnita miragem  de grãos sobre o deserto e bem mais desperto  que o som das cotovias os alaridos perenes da morte ressoavam nos ouvidos  cães ladram à boca da noite amordaçada como se calam testemunhas  em seus abrigos  inertes as mãos já não movimentam bilros e se estendem sobre o horizonte como as sedas sobre as coxas ou deslizando sobre os seios até os bicos.