Morro do Tatu
Terra de sangue e de estrada
ainda reside nos pés de paredes.
Nas barras de calças viajantes,
estacionada ainda a mesma sede.
Égua fugida, rês desgarrada,
o tempo não é contado
mais do mesmo jeito:
não se debulham instantes,
com a sombra da jurema
sobre as roupas que quaram
pastorando o branco no lajedo.
Meninos não correm emparelhados
– cavaleiros que atalhavam gado –
Meninas não brincam de liso
tocando seus dedos nas pedras
como os segundos presentes,
de leve, tocam as franjas do passado.