Estátua

 



(Para Carlos Drummond de Andrade)


Ah! Carlos, pra que tanta comoção?

Arrancaram-te os óculos;

noutro canto, o livro.


Vão arrancar também,

em pouco tempo,

teus pés e tua cabeça e teu banco

e tua praia às tuas costas.


Os pombos te sujam, gauche.


Ah! Carlos...

Esqueceram teu nome.

Arrancaram tua memória.


E agora, Carlos,

Para onde?