Oyá
Este rio que se reparte
em nove cabeceiras, em veias,
é um rio de búfalos de bronze,
é uma cabra inalada nas nuvens.
Na face desse Rio,
nascem dois olhos de fogo,
que relampejam
pássaros e borboletas.
E ventam contra os bambuzais.
São olhos de pedras caídas
de nove céus.
Olhos de pérola em versos.
Na face do Rio, abaixo dos olhos,
nasce tua boca faminta,
desejosa da carne,
sedenta do sangue das flores.
Então tu, em seguida,
nasces completa com o braço de mil homens.
Acordas com a mão sobre o punho da espada.
Todos os homens reverenciam teus cabelos de raios.
E se submetem ao brilho de tuas coxas de cobre.
Não posso dizer que acordo ao trovejar de teu sexo,
porque a vigília é a perda do animal que somos.
Então, permaneço deitado
sob o pingo intermitente das calhas,
coberto pelo chiado da chuva,
e contemplando o faiscar
dos choques de teus peitos.