Canto de Concriz
I O primeiro poeta me falou que amar era um verbo incandescente destruindo o que encontra pela frente provocando na gente riso e dor; que uma rima toante no seu bolso se agitava e escapava pouco a pouco, deslizando qual ponta de uma faca. E um deus que lhe quer doido de pedra faz no fundo do ouvido estranha fera agitar no juízo uma matraca. II O segundo poeta era mais brando: só sabia das sombras no terreiro, da inocência, da fé, da vez primeira... Mas falava de Deus de vez em quando. Quando nós recriamos esta cena, aprendemos que é só com um poema que a lembrança de um homem ganha asa: ele vira menino e se transporta pelo tempo e encontra sua sorte, visitando os escombros de uma casa. III Eu te amo e, na certa, tu não sabes: me senti alvejado por Cupido. Meu amor se criou com o estampido da explosão da partícula sagrada, lacerando a cortina do universo. Quando vi tua boca com um verso, e mais um, e mais outro, antologia, me rendi a metáfora falada por mil noites, catorze madrugadas, e...