A inexistência e outros silêncios na literatura de Helena Ortiz
Fundação Casa de Jorge Amado, Com a palavra o Escritor, 2010* Qual é o limite entre sua poesia e sua prosa? diálogos , por exemplo, foi publicado como poema e, depois, no livro contos. E muitas outras narrativas poderiam ser reeditadas em um caderno de poemas. Mas que importa os limites? Quem nos obrigará à dissociação disso daquilo? Quem separará, à força, o contistapoeta do poetacontista (assim mesmo, tudo junto... nem mesmo um hífen, Helena, poderá apartar-te de ti mesma)? Eu sinto dificuldades em compreender a direção de alguns contos de Helena. Mas acho que isso é mais sinal de inteligência da escritora que de inabilidade do leitor. Daniel Santos tem razão: o conto delicada , assim como a maioria dos outros, nos “eleva a um patamar de inteligência e sensibilidade” único. Nos contos de O silêncio das xícaras , a narrativa se desenrola na linguagem interna dos personagens. Digo isso porque creio que o pensamento se dá essencialmente pela linguagem: nossos pensamentos são a execução ...