História oral dos ritos de tratamento no terreiro de Dona Alice
Resumo publicado nos ANAIS da XIII Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira. 16 a 20 de novembro de 2017. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB. Campus de Jequié.
ISSN 2316-7386
Para citar:
NASCIMENTO, Edelvito. História oral dos ritos de tratamento no terreiro de Dona Alice. Anais: XII Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira (16 a 20 de novembro de 2017). Jequié-BA: UESB, 2017. p. 142, 143.
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Este trabalho apresenta dados iniciais da pesquisa em torno das práticas de cura e ritos de iniciação (combinados no denominado “tratamento”) na comunidade religiosa liderada por Alice Ferreira de Almeida, entre as décadas de 1970 e 1990, tendo em vista as peculiaridades da religiosidade de terreiro na zona rural do município de Maracás-BA, onde estava inserida. Por se tratar de um culto que já se extinguiu, o método que mais se ajusta à solução do problema de investigação é o da história oral (ALBERTI, 2004, p. 18). A escolha do campo se justifica pelo fato de Maracás ter sido, nos últimos anos, uma importante fonte de pesquisa da história e antropologia do interior da Bahia, tendo em vista o fato de que sua fundação (enquanto vila) remete ao ano de 1671, a ponto de, juntamente com Vitória da Conquista, ter abrigado sob seu território, até o fim do século XIX, quase “todos os municípios que hoje compõem o sudoeste do estado da Bahia” (NASCIMENTO, 2014, p. 32, 33). O recorte temático é propício, porque pouco se produziu até agora acerca das religiões que se elaboraram sob a égide do culto aos caboclos e que foram reelaboradas em pontos isolados do interior. Além dos clássicos da antropologia das religiões de matriz africana utilizamos, como suporte teórico, trabalhos recentemente realizados que tomam como tema a religiosidade local e regional: práticas de cura e rituais de iniciação (BASTIDE 1971; BOTELHO, 2010; MACHADO, 2016; NASCIMENTO, 2014). A pesquisa se guia pelo seguinte problema de
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investigação: por que e como se dava o processo de cura e iniciação no terreiro de Madrinha Alice, na zona rural de Maracás? Pelo que indicam os dados até aqui coletados, a principal motivação dos neófitos ao buscar o tratamento seria a busca por soluções de problemas de saúde emocional mais ou menos complexos, que não eram resolvidos pelos meios médicos convencionais. No que se refere aos meios utilizados, Dona Alice parecia combinar conhecimentos ancestrais com os ritos do candomblé de caboclo ensinados por sua mãe de santo, Dona Maria Cotinha. Também fazia uso da própria intuição como é comum entre os curandeiros do sudoeste baiano, em virtude de uma provável influência banto (NASCIMENTO, 2014, p. 50).
REFERÊNCIAS
ALBERTI, Verena. Manual de história oral. FGV Editora, 2004.
BASTIDE, Roger. As religiões africanas no Brasil. Vol II. São Paulo: Editora da Universidade de
São Paulo, 1971.
BOTELHO, Pedro Freire. Candomblé e práticas de cura em Vitória da Conquista–BA. Anais do V
Encontro Estadual de História Anpuh/BA. Salvador, 2010.
MACHADO, Ivana Karoline Novaes. Cultuando a essência dos que se foram: o candomblé no
Sertão dos Maracás. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Relações Étnicas e
Contemporaneidade. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, 2016.
NASCIMENTO, Washington Santos. Africanos e negros na região sudoeste da Bahia: histórias,
culturas, e influências. In: Santana, Marise de... [et al.] ODEERE: formação docente, linguagens
visuais e legado africano no sudoeste baiano. Vitória da Conquista: Edições UESB, 2014.
NASCIMENTO, Edelvito. História oral dos ritos de tratamento no terreiro de Dona Alice. Anais: XII Semana de Educação da Pertença Afro-Brasileira (16 a 20 de novembro de 2017). Jequié-BA: UESB, 2017. p. 142, 143.