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Mostrando postagens de dezembro, 2012

A Ítaca do sertão e o demiurgo encourado

Texto de orelha do livro Pedra Só* A poesia de José Inácio Vieira de Melo não se estabelece no convencimento racional nem nas prerrogativas de cunho moral, mas na percepção do maravilhoso que é produzido como êxtase e fulguração, descoberta e alumbramento. É bom que se diga, leitor: há de se deparar com uma poética que não se explica, é sentida; não se incomoda com a retórica engajada, com o politicamente correto ou, como diria Francisco Carvalho, “não se preocupa com tuas veleidades sociais”. É uma lírica voltada para si mesma, para o poeta e sua linguagem – “Homero tinha um cavalo/ (...) e escreveu com sangue e verbo/ os salmos da sua história/ cujos ritos e sacrifícios/ se repetem em mim, agora” –, para o poeta e sua reminiscência – “entre as águas da memória/ corredor por onde passam boiadas” – e, sobretudo, para o poeta e sua terra, “chã que se abre ao cavaleiro deslumbrado”, como uma mãe num parto inverso e cíclico reinserindo o filho em seu próprio útero.  Num inequívoco diá...