O crescimento do centauro - um panorama da poesia de José Inácio Vieira de Melo
Revista Cronópios, 2008* Do silêncio, de lá é que surge a palavra de José Inácio Vieira de Melo. Como o vazio que toma conta dos viajantes, o silêncio invadiu a alma do poeta quando em fecundação, ainda na construção do seu primeiro livro. O que torna a poesia de José Inácio tão forte e incisiva é o fato de que ele compreende, desde cedo, o que compõe a gênese de qualquer escritor: o seu próprio silêncio, componente que revela a inquietude dos que refletem sobre si e sobre o mundo. Porém, mais que calar-se, o que o forma é a capacidade de transformar o silêncio em símbolo. Por isso é que ele se inaugura (Códigos do Silêncio, 2000) com uma poesia que revela toda a sua capacidade de codificar os próprios segredos. O que mais tem falado em mim é o silêncio, mas um silêncio plural – de fogo – que com sua língua escarlate abrasa as palavras e as queima antes de serem. (...) O silêncio, este que fala e de que tanto falo, é um hieroglífico poema, e estes versos: tradução e codificação. Depois...